O assunto hoje é gente. Aliás eu só falo de gente. E embora eu pareça voraz, mordaz, severo, intransigente, rígido, implacável (pode escolher) na verdade, acho, sou mesmo um otimista. Gosto muito mais de gente do que de coisas e por isso é esse o meu assunto preferido.
A única certeza que eu tenho, além da morte, é a de que tudo na vida é cíclico e esta é razão para que eu tenha convicção que é hora de voltarmos a evoluir. Não é possível que se possa regredir ainda mais.
Atônito, tenho sido testemunha de uma lenta e gradual transformação, para pior, nas pessoas, em seus sentimentos, em seus pensamentos e, sobretudo, em suas relações. A palavra é intolerância. Puxa!!!! Como estamos intolerantes com tudo e com todos. Não. Não me sinto, nem quero me sentir um velho, mas cada vez que penso em algo que me incomoda me pego pensando em coisas do tipo: no meu tempo as coisas não eram assim. Meu tempo? Meu tempo não é agora também? Sei lá. Aprendi as coisas de maneira diferente.
No meu tempo, por exemplo, era possível decidir visitar alguém sem ter que avisar antes. Sabe o que acontecia? Recepção alegre e calorosa. E ninguém ou quase ninguém colocava escondido, nessas ocasiões, vassouras viradas atrás de portas. O inconveniente era a possibilidade de não encontrar ninguém em casa. “Devem ter ido visitar alguém” era o comentário frustrado e compreensivo que se fazia. Aí era decidir voltar para casa ou visitar outro alguém. Soube de muitos desencontros provocados por visitas em comum. Uma família não encontrava a outra porque resolveram se visitar.
Eu sei que sempre haverá quem ache que hoje em dia é melhor. É mais educado perguntar se a visita é possível. A resposta, no mais das vezes, é negativa. Receber hoje é um saco. Visitar também.
Sou do tempo em que era comum, amigos armarem uma presepada qualquer, por pura diversão, para outro amigo (sem que esse estivesse esperando, claro) e continuarem amigos pelo resto da vida. Ninguém se ofendia e o gostoso era pensar no “troco”.
Sou do tempo em que as famílias se reuniam ao redor da mesa em cada refeição e conversavam sobre planos para a vida ou relatavam os fatos do dia e depois, todos juntos, assistiam a novela do momento.
Sou do tempo em que ir ao estádio de futebol torcer para o seu time era ato de confraternização, inclusive com o torcedor do time adversário.Sentávamos lado a lado, acredita? Adversário era apenas adversário e não inimigo.
Por falar nisso, sou do tempo em que briga de turma era rivalidade de bairros vizinhos. Gritos e palavrões eram as armas usadas. Os poucos hematomas eram curados, no dia seguinte, num bar qualquer de um dos bairros, com cerveja e muita risada, em companhia do agressor.
Sou do tempo em que ligar para alguém significava falar com esse alguém, mesmo que ele fosse desconhecido, não com máquinas e gravações. Era muito mais fácil falar com qualquer pessoa antes da invenção do celular. Não acha?
No meu tempo pedir a mão na namorada era ato distinto, de elegância, educação, de seriedade. Não significava como hoje "pagar mico".
Sou do tempo, enfim, em que não havia nada mais romântico do que uma serenata. O único e divertido risco que se corria era banho de água fria. Todos se fingiam ofendidos, mas dormiam em paz, sem raiva, ódio ou rancor. Hoje, infelizmente, só SERENATA VIRTUAL e, ainda assim, apenas até uma da manhã, sem cigarro, sem álcool e sem música.
Saudade de quando o mundo era em preto e branco. As cores só serviram para pintar a intolerância.
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
UM VIVA A TODAS AS PUTAS
Depois de prolongada e proposital ausência para algumas reflexões – estava achando que este blog, ainda que seja chamado de incômodos e dê voz aos meus inconformismos, andava um tanto quanto azedo, mal humorado, ácido demais, chato mesmo - resolvi voltar agora, espero, mais revigorado, arejado. Estava sentindo falta.
Por mero acaso esse retorno se dá num momento em que a sucessão política é o assunto mais comentado em todos os cantos, em todas as rodas. Nada diferente.
De dois em dois anos a ladainha é sempre a mesma e, na prática, muito pouco ou quase nada muda. Essa é a minha opinião.
E foi essa conclusão que originou o texto que se segue e que dá reinício ao blog.
Tenho visto de tudo nessa campanha, absurdos antes incalculáveis (logo se vê que, pelo menos, alguma coisa mudou sim). Palhaços com e sem maquiagem fazendo do horário político um picadeiro, pseudos artistas tentando brilhar nos holofotes da eleição, respeitados artistas trocando a própria história por mais cinco minutos de fama, ex-atletas tentando novas jogadas ou velhos golpes, travestis e homossexuais sem seriedade com falsos discursos de libertação, negros usando a cor da pele como moeda de troca e tradicionais políticos venais se engalfinhando com aliados de ontem e de amanhã.
Só não vejo putas em campanha pedindo seu voto por que são putas. E olha que elas bem que poderiam utilizar-se desse expediente, uma vez que a campanha é uma zona e nossa política uma putaria. Deve haver e certamente há putas na disputa, mas elas me parecem mais dignas.
Sou contra o termo putaria como algo pejorativo e contra a palavra puta como xingamento. Aliás, ridículo é quando se busca uma palavra pretensamente mais rebuscada ou bonita para definir o que pode parecer, em princípio, agressivo. No caso dessas profissionais: cortesã (houve sua época), meretriz, marafona, prostituta. Soa falso e é feio. Puta é simplesmente puta. E como a sonoridade da palavra é bonita. Repete comigo, de boca cheia: PUTA. Não é gostoso dizê-lo?
Nada tenho contra elas, muito pelo contrário, aliás. Houve um período, breve, é verdade, em que utilizei-me fartamente de seus serviços e posso garantir não foi assim tão ruim. Na ocasião, inclusive, foi salvador. Essas lembranças me fazem pensar em quantos empregos essas trabalhadoras devem ter preservado ao longo de tantos anos. Afinal essa é ou não a mais antiga das profissões? Desde o tempo em que o homem era o chefe nas empresas e o provedor da casa, elas, as difamadas profissionais do sexo devem ter ajudado a manter muitos pratos cheios, alimentando diversas famílias, inclusive de suas mais vorazes críticas.
Fico imaginando o chefe saindo estressado do trabalho, enfurecido, com a certeza de demissão coletiva no dia seguinte. Aí, para preservar a família de sua fúria, resolve relaxar num puteiro qualquer. Pronto, empregos garantidos. Ou alguém duvida que isso já aconteceu inúmeras vezes?
Contra eu sou por preconceitos, por falso moralismo e por julgamentos quase sempre tão tolos como inconsistentes (voltando à campanha política: é o que mais acontece). Sabe frases como aquela “mulher de vida fácil”. Fácil? Parece fácil um homem ter que recorrer às putas? Fácil? Parece fácil deitar-se com qualquer um, ceder a caprichos, submeter-se a fetiches, realizar fantasias muitas vezes sórdidas para ganhar a vida? Sempre haverá quem diga, muitas vezes com razão, que foi escolha delas. Mas, convido à reflexão, e nossas escolhas não nos fazem também ter que aceitar certas coisas que, normalmente, não aceitaríamos? Fácil? Não. Não é fácil, mas é mais digno do que aceitar propinas, usar tráfego de influências, usar o poder alcançado para favorecimento próprio, etc. Muito mais fácil é utilizar expedientes manjados para evitar o sexo indesejado com o próprio parceiro de anos ou, em alguns casos, os parceiros de anos. E antes que me tachem de machista, vale lembrar que homens e mulheres utilizam-se desse expediente. Falo de ambos.
Positiva ou negativamente é usada, indistintamente, para definir coisas grandes ou numerosas. E como se aplicam bem nessas ocasiões. Eu adoro esportes, quem acompanha esse blog deve saber disso. Não é ótimo ver uma puta jogada ou um puta jogo (a palavra também define, inalterada, substantivos masculinos). Adoro um puta livro, escrito por um puta autor, ver uma puta peça, com puta atores (define, inalterada, substantivos plurais) ou um puta filme, com uma puta fotografia de um puta diretor.
Acabei de lembrar daquelas pessoas que rejeitam o parceiro alegando uma puta dor de cabeça ou um puta cansaço. Ou do tormento que é enfrentar um puta trânsito ou uma puta fila. É.
Todas as putas são presenças constantes no nosso vocabulário, no nosso cotidiano e no nosso imaginário (de novo, falo de homens e mulheres). O que eu quis dizer com isso? Que puta dúvida e que grande filho da puta (no bom sentido, claro) eu sou. Deixo aqui, quase no final, um VIVA A TODAS AS PUTAS.
Eu gostaria de encerrar esse post de reinício com uma certeza. Que houvesse ao menos um comentário dizendo o seguinte: “PUTA TEXTO”.
quinta-feira, 4 de março de 2010
MENTIRAS SINCERAS ME INTERESSAM

O menos brilhante (na minha modesta opinião) entre os mais brilhantes compositores da música brasileira – e olhe que isto não é demérito algum, porque apesar de considerá-lo inferior aos demais, ainda assim classifico-o como um dos melhores – é o autor da mais bem sacada frase da MPB. Simplesmente fantástica.
Falo, claro, de Cazuza, responsável pela frase MENTIRAS SINCERAS ME INTERESSAM, inserida na letra da, se não me engano, música “Maior Abandonado”. Outro dia, sem querer, me vi cantando insistentemente essa frase. Sabe aqueles dias quando repetimos exaustivamente, cantarolando, uma única frase de uma música? Quando me dei conta, já estava pensando sobre o significado de tal frase. Descobri, quase divertido, quantas vezes, num mesmo dia, ouvimos - e o que é pior - falamos uma mentira sincera. Refleti, também, sobre o que seria uma mentira sincera e cheguei a conclusão que mentira sincera é quando sabemos que estamos mentindo, mas o fazemos com tanta naturalidade que o interlocutor acredita. Não. É mais que isso. É quando nós mesmos acreditamos.
Em seguida comecei a listar algumas dessas mentiras sinceras. Me permito, até por humildade, citar abaixo apenas algumas delas. As mais comuns e menos graves.
Já ouviu alguma dessas frases? Em algum momento já a utilizou? Quando foi a última vez que se deparou - ouvindo ou dizendo - as frase abaixo?“
"Segunda-feira, sem falta eu começo meu regime” - “Vou procurar uma academia e começar a malhar” - (No celular) “Já estou bem pertinho. Já, já, estou chegando” - “Eu não tinha essa intenção” - “Eu estava justamente pensando nisso” - “Pensei que tivesse te dito” - “Já acordei faz tempo” - "Precisamos marcar um cafezinho” - “Nunca ouvi falar” - "Nunca ouvi tamanha besteira" - “Eu posso explicar” - "Isso nunca me aconteceu antes” - “Não sei porque eu fiz isso” - “Vou fazer o possível para ir” - (Atendendo um telefonema) “Não está. Quem queria falar?” - “Dia desses sonhei com você” - “Como eu posso lembrar o que eu disse?” - “Ia te ligar agorinha mesmo” - “Eu não vi seu recado” - "Reformatei meu computador e perdi todos os seus contatos” - “Infelizmente não deu” - “Tenho outro compromisso no mesmo dia e na mesma hora” - "De hoje não passa” - “Tá bom. De agora em diante eu não te falo mais nada” - “Não quero mais saber de você nunca mais” -"Eu liguei, mas seu telefone só dava ocupado” E a pior de todas - “Eu não assisto BBB”
Eu sei, esse blog é destinado para falar dos meus incômodos. E você deve estar se perguntando o que me incomoda nesse tema. Eu respondo. Não são as mentiras que eu digo que me incomodam. Também não são as mentiras que eu ouço que me incomodam. O que me incomoda é as pessoas acreditarem na mentira dos outros. Verdade...
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
GANHAR OU CONQUISTAR?
Passadas as festas de fim de ano, lentamente a vida vai voltando ao normal. Já reparou como no fim do ano o mundo pára e as pessoas correm, freneticamente, com o objetivo de realizar tarefas que, caso não corressem tanto, fariam mais rápido e melhor? Aliás, interessante como nessa coisa de tempo, o fim vem antes do começo. Mas, estamos entrando já na terceira semana do novo ano e tudo volta quase ao normal, afinal, o carnaval se aproxima e depois de sua passagem, sim, o ano começa efetivamente. Um ano atípico, é bom que se ressalte. Copa do Mundo seguida de eleições gerais faz do ano, um ano bissexto. Normal.
Pena que o normal hoje seja tão diferente e tão pior do que já foi. As pessoas estão cada vez mais individualistas e, por isso mesmo, cada vez mais isoladas. Uma única preocupação habita a cabeça de todos: ganhar. Ganhar tempo para ganhar dinheiro, ganhar dinheiro para ganhar tempo para correr atrás de mais dinheiro e com ele ter mais tempo. Percebo que quanto mais essa preocupação aumenta, mais tempo falta e mais dinheiro se necessita.
As contas vencem e a desculpa, justa, real, é que elas não esperam. Não esperam mesmo, elas também, como todo o mais, tem pressa. Mas será que todas elas são necessárias? É a pergunta que me faço. Não sou saudosista, ou melhor, sou sim. Tenho saudades de uma época em que o objetivo eram as conquistas, não o dinheiro.
Hoje não se investe em gente, não se aposta em pessoas, não há tempo para isso. Como diz a música, é cada um no seu quadrado. Quadrados que não se juntam, quadrados que não se completam. Não há tempo para isso, porque, o que se quer é somente aumentar o próprio quadrado.
Será que as pessoas vão voltar a ter consciência que conquistar é muito mais importante do que ganhar? Será que elas sabem a diferença?
Pena que o normal hoje seja tão diferente e tão pior do que já foi. As pessoas estão cada vez mais individualistas e, por isso mesmo, cada vez mais isoladas. Uma única preocupação habita a cabeça de todos: ganhar. Ganhar tempo para ganhar dinheiro, ganhar dinheiro para ganhar tempo para correr atrás de mais dinheiro e com ele ter mais tempo. Percebo que quanto mais essa preocupação aumenta, mais tempo falta e mais dinheiro se necessita.

As contas vencem e a desculpa, justa, real, é que elas não esperam. Não esperam mesmo, elas também, como todo o mais, tem pressa. Mas será que todas elas são necessárias? É a pergunta que me faço. Não sou saudosista, ou melhor, sou sim. Tenho saudades de uma época em que o objetivo eram as conquistas, não o dinheiro.
Hoje não se investe em gente, não se aposta em pessoas, não há tempo para isso. Como diz a música, é cada um no seu quadrado. Quadrados que não se juntam, quadrados que não se completam. Não há tempo para isso, porque, o que se quer é somente aumentar o próprio quadrado.
Será que as pessoas vão voltar a ter consciência que conquistar é muito mais importante do que ganhar? Será que elas sabem a diferença?
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
DESABAFO
“Por que me arrasto aos seus pés? Por que me dou tanto assim? E por que não peço em troca, nada de volta pra mim?...”
Se você identificou a frase introdutória desse texto como parte de uma música do Roberto Carlos. Parabéns. Você acertou em cheio. Apropriei-me devidamente (coloquei aspas, reticências e dei os devidos créditos, como manda a boa ética) do trecho inicial da música DESABAFO para a sempre difícil missão, pelo menos para mim, de começar um texto. E como pretendo aqui, nesse espaço, fazer o meu desabafo, achei justo içar parte dessa música de Roberto Carlos, até como homenagem.
Essa é, aliás, umas das muitas vantagens de se ter um blog próprio; o descompromisso com fórmulas, formatos, temas, estilos, assuntos e periodicidade. Se um dia, sinceramente nem sei mais se torço para que isso aconteça ou não, este blog ficar famoso, a liberdade que tenho hoje e que tanto prezo passaria a ficar comprometida.
Num blog como o meu em que os leitores são poucos - poucos não, raros. Raros não, raríssimos. Na verdade, único, porque cada leitor é único – o que vale mesmo é a possibilidade de mudar, experimentar. Por isso, peço licença a você, eventual leitor (a), para esse meu desabafo.
Na citada música, o rei com talento e competência (há quem discuta a qualidade artística de Roberto Carlos, mas, mesmo esses, não podem negar que há uma obra realizada e, gostem ou não – eu gosto de muita coisa - precisa ser respeitada) fala, mais uma vez, de romance, de amor e paixão, temas recorrentes em seu trabalho.
Não tenho a pretensão, claro, de me comparar a ninguém, muito menos a um rei, longe disso. Não sou dono de obra alguma (três textos de teatro - um ainda inédito - uma rádionovela, um único episódio de um seriado de TV que nunca foi ao ar, a sinopse de uma novela que jamais foi lida, um livro apenas começado, algumas péssimas poesias, poucas crônicas e contos sem qualquer repercussão, muitos roteiros musicais, direção de shows de artistas quase desconhecidos e diversos textos jornalísticos – documentários, inclusive - não constituem uma obra), mas, graças ao blog, posso falar com simplicidade das coisas que eu vejo, penso, sinto e sei.
Tenho quase meio século de vida e começo - utilizei o verbo no presente, propositalmente, por pura generosidade comigo mesmo – a sentir o peso da idade, embora ainda mantenha a garra, a inocência e a pureza de outros tempos já, há muito, idos. Às vezes sinto que envelheço sem ter amadurecido por completo.
Tal imaturidade escancara, de forma constante, grandes incômodos. O fato de, ainda ter, enorme retaguarda dos pais, de ainda buscar objetivos profissionais mais amplos, de estar longe da estabilidade financeira, muito comum em pessoas da minha idade, não deveria ser problema, mas, inevitavelmente, acaba sendo. Para sociedade. Mas quem disse que quero ser comum?
O fato é que, por tudo isso, freqüentemente, sou atormentado por um dilema: trocar a criatividade instável pela segurança medíocre? Medíocre e mentirosa. Medíocre porque quem é que pode, infeliz, realizar bem qualquer trabalho por mais digno, importante ou necessário que ele seja? Mentirosa porque é uma segurança volátil, pois em algum momento, com razão, sempre acharemos estar ganhando menos do que merecemos pelo trabalho executado.
O que eu posso fazer se é escrevendo peças, novelas e documentários, criando personagens, dirigindo shows, pesquisando músicas, produzindo espetáculos que me sinto feliz? O que posso fazer se, infelizmente, esse trabalho ainda não me dá, financeiramente, tudo o que preciso e tudo o que esperam de mim?
Quantas vezes, como agora, já não me peguei pensando em abdicar desses dez anos de investimento numa carreira e buscar um respeitável emprego formal? Conciliar as duas coisas é uma solução correta, eu sei. O que mais me entristece, porém, não é a dúvida, até porque ela não existe. O que me incomoda é o incômodo que essa postura causa nas pessoas. Sinto-me desrespeitado. Sou visto como sonhador, acomodado ou, o que é pior, vagabundo.
O caminho que escolhi, tenho certeza, vai render muitos frutos e todos os que me cercam poderão saboreá-los, basta paciência porque, sei também, o caminho é longo e a caminhada, lenta. Carrego na bagagem os pesados fardos da dignidade, do respeito, da honestidade, da lealdade, da decência, da dedicação e da ética.
Não quero, mas, ando pensando, outra vez, em utilizar o primeiro atalho que culmine na tal da segurança, porque com quase meio século vivido, temo que as pernas não suportem o esforço em carregar o terrível peso extra, dos quais quero me livrar o mais rapidamente possível, que, com o passar do tempo, vem sendo acrescentado à minha bagagem; a pressão e as cobranças.
Eis aqui um simples DESABAFO
Se você identificou a frase introdutória desse texto como parte de uma música do Roberto Carlos. Parabéns. Você acertou em cheio. Apropriei-me devidamente (coloquei aspas, reticências e dei os devidos créditos, como manda a boa ética) do trecho inicial da música DESABAFO para a sempre difícil missão, pelo menos para mim, de começar um texto. E como pretendo aqui, nesse espaço, fazer o meu desabafo, achei justo içar parte dessa música de Roberto Carlos, até como homenagem.
Essa é, aliás, umas das muitas vantagens de se ter um blog próprio; o descompromisso com fórmulas, formatos, temas, estilos, assuntos e periodicidade. Se um dia, sinceramente nem sei mais se torço para que isso aconteça ou não, este blog ficar famoso, a liberdade que tenho hoje e que tanto prezo passaria a ficar comprometida.
Num blog como o meu em que os leitores são poucos - poucos não, raros. Raros não, raríssimos. Na verdade, único, porque cada leitor é único – o que vale mesmo é a possibilidade de mudar, experimentar. Por isso, peço licença a você, eventual leitor (a), para esse meu desabafo.
Na citada música, o rei com talento e competência (há quem discuta a qualidade artística de Roberto Carlos, mas, mesmo esses, não podem negar que há uma obra realizada e, gostem ou não – eu gosto de muita coisa - precisa ser respeitada) fala, mais uma vez, de romance, de amor e paixão, temas recorrentes em seu trabalho.
Não tenho a pretensão, claro, de me comparar a ninguém, muito menos a um rei, longe disso. Não sou dono de obra alguma (três textos de teatro - um ainda inédito - uma rádionovela, um único episódio de um seriado de TV que nunca foi ao ar, a sinopse de uma novela que jamais foi lida, um livro apenas começado, algumas péssimas poesias, poucas crônicas e contos sem qualquer repercussão, muitos roteiros musicais, direção de shows de artistas quase desconhecidos e diversos textos jornalísticos – documentários, inclusive - não constituem uma obra), mas, graças ao blog, posso falar com simplicidade das coisas que eu vejo, penso, sinto e sei.
Tenho quase meio século de vida e começo - utilizei o verbo no presente, propositalmente, por pura generosidade comigo mesmo – a sentir o peso da idade, embora ainda mantenha a garra, a inocência e a pureza de outros tempos já, há muito, idos. Às vezes sinto que envelheço sem ter amadurecido por completo.
Tal imaturidade escancara, de forma constante, grandes incômodos. O fato de, ainda ter, enorme retaguarda dos pais, de ainda buscar objetivos profissionais mais amplos, de estar longe da estabilidade financeira, muito comum em pessoas da minha idade, não deveria ser problema, mas, inevitavelmente, acaba sendo. Para sociedade. Mas quem disse que quero ser comum?
O fato é que, por tudo isso, freqüentemente, sou atormentado por um dilema: trocar a criatividade instável pela segurança medíocre? Medíocre e mentirosa. Medíocre porque quem é que pode, infeliz, realizar bem qualquer trabalho por mais digno, importante ou necessário que ele seja? Mentirosa porque é uma segurança volátil, pois em algum momento, com razão, sempre acharemos estar ganhando menos do que merecemos pelo trabalho executado.
O que eu posso fazer se é escrevendo peças, novelas e documentários, criando personagens, dirigindo shows, pesquisando músicas, produzindo espetáculos que me sinto feliz? O que posso fazer se, infelizmente, esse trabalho ainda não me dá, financeiramente, tudo o que preciso e tudo o que esperam de mim?
Quantas vezes, como agora, já não me peguei pensando em abdicar desses dez anos de investimento numa carreira e buscar um respeitável emprego formal? Conciliar as duas coisas é uma solução correta, eu sei. O que mais me entristece, porém, não é a dúvida, até porque ela não existe. O que me incomoda é o incômodo que essa postura causa nas pessoas. Sinto-me desrespeitado. Sou visto como sonhador, acomodado ou, o que é pior, vagabundo.
O caminho que escolhi, tenho certeza, vai render muitos frutos e todos os que me cercam poderão saboreá-los, basta paciência porque, sei também, o caminho é longo e a caminhada, lenta. Carrego na bagagem os pesados fardos da dignidade, do respeito, da honestidade, da lealdade, da decência, da dedicação e da ética.
Não quero, mas, ando pensando, outra vez, em utilizar o primeiro atalho que culmine na tal da segurança, porque com quase meio século vivido, temo que as pernas não suportem o esforço em carregar o terrível peso extra, dos quais quero me livrar o mais rapidamente possível, que, com o passar do tempo, vem sendo acrescentado à minha bagagem; a pressão e as cobranças.
Eis aqui um simples DESABAFO
terça-feira, 24 de novembro de 2009
TALENTO: QUAL MESMO A SERVENTIA?
Todos os assuntos em que pensamos e temos opiniões formadas ou não, todas aquelas coisas nas quais acreditamos ou não, todos os conhecimentos adquiridos nos foram ensinados ou impostos. Essa lição eu já sei. Aprendi direitinho. As poucas coisas que fogem desta máxima são frutos exclusivos de caráter, personalidade ou histórico de vida. Felizmente a maturidade nos transforma e faz, quando é o caso, mudarmos convicções.
Sozinho eu aprendi algumas coisas que trago desde a mais tenra idade. Duas delas pautaram meu comportamento ao longo desses vários anos. Hoje, entristecido, começo a rever certas certezas.
Aprendi a confiar na amizade e respeitar o talento ou, talvez aqui a ordem dos fatores altere significativamente o produto, confiar no talento e respeitar a amizade.
Sobre amizade eu vou falar numa postagem posterior. O tema hoje é talento.
Sempre acreditei que a palavra talento significasse muito mais que a definição do AURÉLIO. Talento, para mim, sempre foi a capacidade de transformação, de criação, de improvisação e de beleza. É! Beleza! Associei, a vida inteira, essa palavra com poesia. Poesia no sentido de vida, de sensibilidade, de paixão. Lirismo lúdico.
Mas, que decepção! Talento pode, (que inferno), estar relacionado à atividades e ações muito menos nobres. Descobri isso às duras penas. E como dói! Escolhi, há uma década, atuar no mundo da cultura, do entretenimento, apostando no talento. Hoje, nem sei se, de fato, possuo algum talento como roteirista, escritor, dramaturgo, produtor ou diretor. Mas, não é nem de mim e das decepções, intercaladas com algumas vitórias, que venho acumulando, que quero falar. Tenho visto, acompanhado e participado da luta de muitos artistas com fabuloso talento (artes cênicas e musicais) e que como eu vivem patinando. Logo uma pergunta se obriga: Para que serve tanto talento? De que adianta estudar, durante anos, um instrumento? Tocar e cantar com virtuosismo? De que adianta o empenho, a luta e a capacidade de um ator para interpretar, lindamente, outras vidas? O que fazer com tudo isso se o talento necessário, o talento que importa é o dinheiro é o conhecimento ou a capacidade de articulação? Vejo, com angústia, que a maioria das decisões de quem vai vingar ou não vai, não está relacionada apenas ao talento. Uma realidade triste, incômoda. Aposto, sem medo de perder, que cada pessoa que ler esse texto lembrará, na hora, que conhece um ator, escritor, músico, compositor, cantor, humorista, diretor ou um artista de outro segmento, desconhecido do grande público e muito mais completo do que vários dos que surgem, do nada, todos os dias. O que mais se tem visto é música de qualidade (no mínimo) discutível e atores com notoriedade apenas porque são bonitos, famosos em outras áreas ou rebolam bem. Celebridades de cera. Claro! Há uma minoria realmente talentosa que, felizmente, consegue destaque. Mas será que, mesmo esses, não tiveram ajuda dos outros talentos?
Vou continuar, enquanto forças eu tiver, lutando para que os melhores ARTISTAS consigam alguma visibilidade. E que eu possa, algum dia, se talento possuir, estar entre eles. Que tenham oportunidades reais de encantar através da sua arte e talento.
TALENTO: QUAL MESMO É A SERVENTIA?
Sozinho eu aprendi algumas coisas que trago desde a mais tenra idade. Duas delas pautaram meu comportamento ao longo desses vários anos. Hoje, entristecido, começo a rever certas certezas.
Aprendi a confiar na amizade e respeitar o talento ou, talvez aqui a ordem dos fatores altere significativamente o produto, confiar no talento e respeitar a amizade.
Sobre amizade eu vou falar numa postagem posterior. O tema hoje é talento.
Sempre acreditei que a palavra talento significasse muito mais que a definição do AURÉLIO. Talento, para mim, sempre foi a capacidade de transformação, de criação, de improvisação e de beleza. É! Beleza! Associei, a vida inteira, essa palavra com poesia. Poesia no sentido de vida, de sensibilidade, de paixão. Lirismo lúdico.
Mas, que decepção! Talento pode, (que inferno), estar relacionado à atividades e ações muito menos nobres. Descobri isso às duras penas. E como dói! Escolhi, há uma década, atuar no mundo da cultura, do entretenimento, apostando no talento. Hoje, nem sei se, de fato, possuo algum talento como roteirista, escritor, dramaturgo, produtor ou diretor. Mas, não é nem de mim e das decepções, intercaladas com algumas vitórias, que venho acumulando, que quero falar. Tenho visto, acompanhado e participado da luta de muitos artistas com fabuloso talento (artes cênicas e musicais) e que como eu vivem patinando. Logo uma pergunta se obriga: Para que serve tanto talento? De que adianta estudar, durante anos, um instrumento? Tocar e cantar com virtuosismo? De que adianta o empenho, a luta e a capacidade de um ator para interpretar, lindamente, outras vidas? O que fazer com tudo isso se o talento necessário, o talento que importa é o dinheiro é o conhecimento ou a capacidade de articulação? Vejo, com angústia, que a maioria das decisões de quem vai vingar ou não vai, não está relacionada apenas ao talento. Uma realidade triste, incômoda. Aposto, sem medo de perder, que cada pessoa que ler esse texto lembrará, na hora, que conhece um ator, escritor, músico, compositor, cantor, humorista, diretor ou um artista de outro segmento, desconhecido do grande público e muito mais completo do que vários dos que surgem, do nada, todos os dias. O que mais se tem visto é música de qualidade (no mínimo) discutível e atores com notoriedade apenas porque são bonitos, famosos em outras áreas ou rebolam bem. Celebridades de cera. Claro! Há uma minoria realmente talentosa que, felizmente, consegue destaque. Mas será que, mesmo esses, não tiveram ajuda dos outros talentos?
Vou continuar, enquanto forças eu tiver, lutando para que os melhores ARTISTAS consigam alguma visibilidade. E que eu possa, algum dia, se talento possuir, estar entre eles. Que tenham oportunidades reais de encantar através da sua arte e talento.
TALENTO: QUAL MESMO É A SERVENTIA?
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
LEVIANO EU SOU
Eu havia prometido a mim mesmo jamais utilizar esse espaço para falar de uma de minhas paixões: o futebol. Futebol que, como todas as paixões o fazem, mudou o rumo de minha trajetória.
Fiz essa promessa por duas razões muito simples. A primeira é que não queria correr o risco, desnecessário, de tornar temática essa tribuna, embora ela continue sendo, pois fala dos meus incômodos. A segunda é porque sei que quando se fala de paixões, a tendência de sermos parciais é muito grande e eu quero tentar fugir disso.
Como eu sou leviano!!!! Já na terceira postagem, me pego aqui, cheio de desculpas esfarrapadas, falando de futebol. Mas, se o blog é para falar de incômodos, ora bolas, porque evitar a abordagem de um assunto que, faz tempo, me irrita?
E a imprensa me irrita. Falo da imprensa em geral (sem esquecer a minha formação) e da imprensa esportiva especificamente (excluindo raras exceções).
Eles entram em nossa casa, com nossa anuência e chegam ditando regras de comportamento, analisando impiedosamente uns e outros, pousando de bons samaritanos, exigindo diferenças nas atitudes públicas e privadas, passando sermões como se estivessem, todos eles, acima do bem e do mal. Será?
Começo a acreditar que não importa o que façam em suas vidas particulares, desde que vendam a imagem de perfeitos.
Eu, particularmente, penso diferente. Defendo a transparência sempre e não espero a perfeição de ninguém. Sei que todos nós já erramos e que continuaremos a cometer erros em algumas situações.
Hesito em utilizar a expressão hipócritas, mas assumo que ela me é tentadora, assim como tentador seria poder nominar profissionais em quem, na minha modesta opinião, a expressão, no singular, caberia muito bem.
Numa época, porém, em que expressar-se vale processos, prefiro proteger-me, sem, entretanto, deixar de manifestar alguns pensamentos.
Essa atitude não é, claro, megalomaníaca. Sei que meu blog não é lido por quase ninguém e tenho noção exata de que praticamente inexisto numa selva repleta de “feras”, mas todo o cuidado é pouco, mesmo.
Um erro do árbitro Carlos Eugênio Simon no jogo de domingo passado (08.11.09) no Maracanã entre o Fluminense e o “meu” Palmeiras e os fatos que se seguiram em função desse erro, reacenderam em mim o desejo de abordar o tema e espinafrar a mídia esportiva. Tanta besteira que vi e ouvi me levaram à indignação, quase à revolta.
Não acredito, sinceramente, que o referido árbitro tenha agido de má fé, seja vendido ou coisa que o valha, como disse o Presidente da Sociedade Esportiva Palmeiras, o Sr. Luiz Gonzaga Belluzzo e como jamais disseram meus coleguinhas da imprensa esportiva.
O que me incomoda, de verdade, é a postura de boa parte dos analistas, igualando o Sr. Belluzzo a outros dirigentes que andaram e ainda andam por aí.
Não vai aqui, acreditem, nenhum fanatismo. Erros como o do Sr. Simon acontecem sempre, beneficiando e prejudicando todos os clubes. Concordo com a tese que o Palmeiras nem tem jogado um bom futebol e que merecia até perder. Mas tendo a concordar que um erro como o que cometeu o Sr. Simon, no momento do jogo e do campeonato pode levar um homem digno, à explosão. Ou os jornalistas preferem os dirigentes dissimulados, arrogantes, prepotentes, manipuladores que dominam esse esporte apaixonante?
Tento entender que eles, como formadores de opinião que se julgam e que são, optem pelo politicamente correto. Mas o que me intriga, incomoda e irrita é ver esses mesmos jornalistas perderem a classe quando contestados.
O Sr. Luiz Gonzaga Belluzzo é um cidadão integro, respeitado mundo afora e diferenciado, mas um ser humano apaixonado e indignado e têm o direito até de cometer pequenos erros. Erros muito menores do que o daqueles que o igualam aos demais dirigentes do meio.
Permito-me citar um único nome, que foi a opinião mais lúcida que ouvi. Um jornalista a quem respeito, mas de quem divirjo muitas vezes: Juca Kfouri que, mesmo tendencioso, às vezes, olha antes o currículo e depois o ato da pessoa. Dessa vez concordo com o Juca.
Prometo nunca mais usar o INCÔMODOS para falar de futebol. MAS, LEVIANO EU SOU.
Fiz essa promessa por duas razões muito simples. A primeira é que não queria correr o risco, desnecessário, de tornar temática essa tribuna, embora ela continue sendo, pois fala dos meus incômodos. A segunda é porque sei que quando se fala de paixões, a tendência de sermos parciais é muito grande e eu quero tentar fugir disso.
Como eu sou leviano!!!! Já na terceira postagem, me pego aqui, cheio de desculpas esfarrapadas, falando de futebol. Mas, se o blog é para falar de incômodos, ora bolas, porque evitar a abordagem de um assunto que, faz tempo, me irrita?
E a imprensa me irrita. Falo da imprensa em geral (sem esquecer a minha formação) e da imprensa esportiva especificamente (excluindo raras exceções).
Eles entram em nossa casa, com nossa anuência e chegam ditando regras de comportamento, analisando impiedosamente uns e outros, pousando de bons samaritanos, exigindo diferenças nas atitudes públicas e privadas, passando sermões como se estivessem, todos eles, acima do bem e do mal. Será?
Começo a acreditar que não importa o que façam em suas vidas particulares, desde que vendam a imagem de perfeitos.
Eu, particularmente, penso diferente. Defendo a transparência sempre e não espero a perfeição de ninguém. Sei que todos nós já erramos e que continuaremos a cometer erros em algumas situações.
Hesito em utilizar a expressão hipócritas, mas assumo que ela me é tentadora, assim como tentador seria poder nominar profissionais em quem, na minha modesta opinião, a expressão, no singular, caberia muito bem.
Numa época, porém, em que expressar-se vale processos, prefiro proteger-me, sem, entretanto, deixar de manifestar alguns pensamentos.
Essa atitude não é, claro, megalomaníaca. Sei que meu blog não é lido por quase ninguém e tenho noção exata de que praticamente inexisto numa selva repleta de “feras”, mas todo o cuidado é pouco, mesmo.
Um erro do árbitro Carlos Eugênio Simon no jogo de domingo passado (08.11.09) no Maracanã entre o Fluminense e o “meu” Palmeiras e os fatos que se seguiram em função desse erro, reacenderam em mim o desejo de abordar o tema e espinafrar a mídia esportiva. Tanta besteira que vi e ouvi me levaram à indignação, quase à revolta.
Não acredito, sinceramente, que o referido árbitro tenha agido de má fé, seja vendido ou coisa que o valha, como disse o Presidente da Sociedade Esportiva Palmeiras, o Sr. Luiz Gonzaga Belluzzo e como jamais disseram meus coleguinhas da imprensa esportiva.
O que me incomoda, de verdade, é a postura de boa parte dos analistas, igualando o Sr. Belluzzo a outros dirigentes que andaram e ainda andam por aí.
Não vai aqui, acreditem, nenhum fanatismo. Erros como o do Sr. Simon acontecem sempre, beneficiando e prejudicando todos os clubes. Concordo com a tese que o Palmeiras nem tem jogado um bom futebol e que merecia até perder. Mas tendo a concordar que um erro como o que cometeu o Sr. Simon, no momento do jogo e do campeonato pode levar um homem digno, à explosão. Ou os jornalistas preferem os dirigentes dissimulados, arrogantes, prepotentes, manipuladores que dominam esse esporte apaixonante?
Tento entender que eles, como formadores de opinião que se julgam e que são, optem pelo politicamente correto. Mas o que me intriga, incomoda e irrita é ver esses mesmos jornalistas perderem a classe quando contestados.
O Sr. Luiz Gonzaga Belluzzo é um cidadão integro, respeitado mundo afora e diferenciado, mas um ser humano apaixonado e indignado e têm o direito até de cometer pequenos erros. Erros muito menores do que o daqueles que o igualam aos demais dirigentes do meio.
Permito-me citar um único nome, que foi a opinião mais lúcida que ouvi. Um jornalista a quem respeito, mas de quem divirjo muitas vezes: Juca Kfouri que, mesmo tendencioso, às vezes, olha antes o currículo e depois o ato da pessoa. Dessa vez concordo com o Juca.
Prometo nunca mais usar o INCÔMODOS para falar de futebol. MAS, LEVIANO EU SOU.
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